November 2010
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“As pessoas botam chassi para proteger o trabalho. Eu, não. Se acontece alguma coisa com minhas telas, aconteceu acabou. Se tem um rasgo, dou uma costuradinha. Entendo a tela como objeto e não apenas como pintura para pôr na parede. A pintura interage: se está calor, ela ‘engruvinha’; se está frio, ela estica, sai um pouco da parede, volta. Os tecidos pré-colombianos eram preciosíssimos e sobraram na forma de fragmentos. Nas telas, estou preocupado em evitar que uma parte seja menos importante que outra. Um fundo, um cantinho que só tem uma aquarelada verde, é tão importante quanto o total. Mas é tudo igual, não tem nem figura principal. Como esse vestido que eu fiz. Em cima, na hora que a linha sobrou, voltei a fazer uma segunda linha embaixo, tão importante quanto. Há trabalhos que eu começo a fazer e que vão ficando mal-feitos, mal-feitos, mal-feitos e aí penso: ‘Não posso tentar fazer alta-costura. Isso não é Balenciaga. Isso é meu trabalho’. Antes eu pensava que a costura tinha que ser perfeita. E até tentei, só que eu apanhei tanto! Vi que é diferente quando um estilista faz uma roupa e quando um artista costura. São duas atitudes irmãs, mas bem diferentes.
(…)
Isso aqui é fruto de uma curiosidade para descobrir materiais. Sinto-me como um cientista que fica no seu laboratório o tempo todo fazendo experiências. Só que isto daqui é só o físico, mas existe algo nele que só eu sei, que é energia.
- E a parte que não é visível na obra?
- Não está visível, estaria num mundo virtual. Se você quiser uma descrição de mim, eu acho que eu sou um curioso. E sou ambíguo, completamente. Os trabalhos são todos ambíguos. Eles não entregam uma verdade diretamente, mas mostram uma visão aberta. Eu nunca me conformei com um lado único das coisas. Sabe esses andarilhos vagabundos na estrada? Que correm o mundo? Sou mais um curioso que artista.
(…)
Eu não me preocupo com a forma, não me preocupo com a cor, não me preocupo com o lugar. Praticamente tenho essas preocupações estéticas. Quando vou fazer um trabalho, estou diante do material e me preocupo com as partes que se juntam, por exemplo dois tons de feltro, ou uma camisa rasgada com um voile. Isso é totalmente fetichista, sensual”.
tão bonitinho o leonilson
qual jiló sobrando no prato ._.” —
eu (via falameia)
nhoim asgorivo nham nahm nhah :~